Os Clãs do Grupo Rom

Antes de falar dos clãs propriamente ditos, é interessante observar algumas curiosidades que, estas sim, são comuns a todos os rhomá. Em primeiro lugar, o nome civil, em geral, não significa muita coisa para as comunidades rhomá. Ele é considerado um “nome gadjo” (não-cigano) e costuma ser bastante desvalorizado, servindo apenas de referência para não-ciganos, no mundo não-cigano. Prova disso é que quase todos os rhomá têm um “outro nome”, este mais usado e valorizado dentro da comunidade e ao qual os gadjé (não-ciganos) geralmente não têm acesso. Equivaleria, a título de comparação, a um apelido ou alcunha no mundo não-cigano, quer dizer, fora das comunidades. Voltaremos a falar dos nomes e de sua importância depois.

Em segundo lugar, sobretudo no que diz respeito ao relacionamento dos rhomá entre si, vale destacar a importância do sobrenome. O sobrenome é o nome de família, ele alude aos ancestrais dos quais uma pessoa descende, e, para os rhomá, essa é tradicionalmente uma questão muito séria e importante. O sobrenome de alguém, dessa forma, vale mais que o seu próprio nome.

No caso do grupo Rom, a importância do sobrenome perde apenas para a importância da vitsa, que é dada pela linhagem, normalmente uma homenagem ao membro fundador do clã. Afinal, um clã, como se sabe, é um grupo de pessoas unidas por parentesco e linhagem definida pela ascendência de um ancestral comum. É por causa disso que constituiu-se o hábito, originalmente apenas entre os rhomá de um mesmo clã do grupo Rom, de se tratarem uns aos outros, sempre que não fossem da mesma família, por “primo” ou “prima”. É uma expressão da consciência de que os membros do clã, ainda que indiretamente, são todos parentes.

Hoje, no entanto, esse costume se encontra amplamente difundido e é comum que os rhomá se tratem por “primos” e “primas” mesmo quando são de clãs diferentes ou de outros grupos, como Sinti e Calon. Numa ressignificação do gesto, essa se tornou uma maneira de diminuir as diferenças entre os grupos e manifestar o desejo de união, que é essencial na luta por direitos pertinentes à etnia como um todo.